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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Pesquisadores criam abacaxi sem espinhos, com mais polpa e resistente à praga

Joel Mardegan, de 43 anos, conseguiu colher bons frutos da variedade. 
 Quem planta abacaxi já ouviu falar sobre a Fusariose, doença causada por um fungo e que ataca a planta e apodrece parte do fruto. Em São Francisco de Itabapoana, a doença é conhecida como broca. Para os agricultores desse tipo de cultura, a doença é uma preocupação, principalmente, porque é ela a responsável por aproximadamente 40% das perdas de produção comercializadas no Brasil.
  No entanto, no Espírito Santo (ES), uma pesquisa do Instituto Capixaba de Pesquisa Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), em parceria com Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), resolveu a dor de cabeça dos produtores. Pesquisadores criaram uma variedade da fruta resistente à praga e com outras vantagens: o abacaxi Vitória.
O pesquisador do Incaper José Aires Ventura, de 62 anos, afirma que a pesquisa foi iniciada na década de 80. “No Espírito Santo, o abacaxi é cultivado, principalmente, por agricultores familiares. A melhor estratégia era trabalhar no sentido do melhoramento genético. No caso, desenvolver novas variedades que fossem resistentes à doença”, justifica. O abacaxi Vitória foi lançado em 2006, no município de Sooretama. José conta ainda que a nova versão da fruta não tem espinhos nas folhas, o que facilita os tratos culturais e ajuda o agricultor a organizar o plantio. Além disso, a polpa branca é de 15% a 18% mais doce do que os abacaxis convencionais, como o Pérola. “Além disso tudo, é resistente à principal doença da cultura no país e ainda está dentro do padrão exigido pelo mercado consumidor. Os frutos têm aproximadamente 1,4 kg, miolo pequeno, ou seja, tem mais polpa e é extremamente doce, com um equilíbrio de acidez muito bom”, destaca o pesquisador.
Renda
Em Corda do Mutunzim, no município de Boa Esperança, o agricultor familiar Joel Mardegan, de 43 anos, conseguiu colher bons frutos da variedade. Plantou três mil mudas da planta na primeira tentativa. Na segunda, ao ver o sucesso do resultado, aumentou o número para 10 mil. O aumento da produção, em conjunto com as outras culturas já plantadas na propriedade, gerou a necessidade de um sistema de irrigação maior. Para conseguir melhorar a estrutura, o agricultor contou com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), coordenado pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead).
“Eu trabalhava com o Pérola, mas a produção diminuiu e descobri o abacaxi Vitória. Foi muito bom porque além de comercializar na feira, também vendi por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), e ainda no atacado. O comprador vinha na roça comprar, diretamente comigo”, conta o agricultor. Em 2017, pesquisas realizadas pelo Incaper mostraram que o lucro do agricultor com o Vitória é 274% maior ao obtido com o cultivo do tipo Pérola. Cultivada em fileira dupla, a planta também alcançou lucro 251% superior ao do cultivo do Smooth Cayenne, outra variedade cultivada da fruta. Ventura explica que em um hectare cabem cerca de 52 mil pés da planta e, por ter muitas vantagens, a variedade começou a ser também plantada por grandes produtores.
São Francisco de Itabapoana Produz a variedade Pérola 
São Francisco de Itabapoana, norte do Estado do Rio de Janeiro, é o maior produtor de abacaxi da variedade perola do Brasil. No período da safra, pelo menos 100 caminhões são carregados diariamente com a fruta que tem como destino várias capitais do país, principalmente o mercado do Rio de Janeiro e São Paulo. 
A Fusariose ou broca como é conhecida a doença, é responsável por mais de 20% da perda da produção, além de ser responsável por cerca de 30% do custo de produção, pois o produtor tem que aplicar fungicida várias vezes durante o período de desenvolvimento da fruta. 
A variedade vitória, desenvolvida pelo estado do espírito santo pode ser uma alternativa economicamente viável também para São Francisco de Itabapoana.

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